quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A procura da felicidade!



De sem-teto a milionário: homem que inspirou o filme À Procura Da Felicidade divide seu maior conselho
Chris Gardner fala sobre pobreza, racismo e a importância de não querer ser outra pessoa 
Por Paula Zogbi  11 set, 2017 13h48










SÃO PAULO – Parte da história é célebre: Chris Gardner, aos 28 anos, se encontrou sem emprego, pai solteiro, morando na rua. Mas nem tudo o que foi retratado no filme À Procura da Felicidade ocorreu exatamente daquela maneira na vida real. O filho de Gardner, por exemplo, tinha 14 meses na época retratada, e não 5 anos.

“A coisa mais difícil era o cuidado com o bebê”, conta Gardner, em entrevista ao InfoMoney. “Eu tinha que sair todos os dias, deixa-lo aos cuidados de uma pessoa que eu não conhecia e torcer para ele estar vivo no final do dia”, completa.

Nascido em família de poucos recursos, Gardner conta que o filme “por melhor que tenha sido, foi sobre um ano” de sua vida, e portanto não aborda muitos dos aspectos mais relevantes de sua trajetória. Um deles, por exemplo, é a mudança de perspectiva após a morte da esposa, há 5 anos.

Para falar sobre os primeiros 27 anos de sua vida e sobre os passos seguintes, o empreendedor lançou o livro À Procura da Felicidade e participa de eventos como palestrante. Neste mês, comparecerá ao Congresso Mundial de Desenvolvimento Pessoal e Profissional (National Achievers Congress), que ocorre nos dias 23 e 24. 

Gardner falou sobre racismo, crise financeira, inspirações e o segredo do sucesso ao InfoMoney. “O segredo para mim foi estar mais perto do dinheiro que os outros caras. E isso significa que uma transação, uma venda ou uma compra, não poderia acontecer sem que eu fizesse parte do processo”. Confira, a seguir, a íntegra:

InfoMoney: Pode contar um pouco sobre sua experiência antes das ruas e enquanto ficou sem abrigo? Como se deu essa situação e quais eram as maiores dificuldades?

Chris Gardner: Primeiramente, deixe-me dizer uma coisa. Esse filme, por melhor que seja, foi sobre um ano das nossas vidas. Eu tinha 28 anos de idade. É por isso que estou tão feliz pela possibilidade de escrever o livro, para falar dos primeiros 27 anos.

Uma das maiores diferenças entre o filme e a vida real é que no filme o ator que interpreta meu filho tem 5 anos de idade. Eles fizeram isso para ajudar com os diálogos. E a verdade é que meu filho tinha 14 meses de idade, ele ainda usava fraldas. Isso muda tudo. E a coisa mais difícil que eu tinha que fazer todos os dias como um pai trabalhador, sem teto e solteiro, era os cuidados com a criança. Pense nisso: se você tem um bebê dessa idade você não pode ir trabalhar. Então a coisa mais difícil era deixar meu menino com alguém que eu não conhecia e torcer para que tudo estivesse bem.  

IM: Como vocês chegaram a esse ponto, de precisar morar nas ruas?
CG: Tudo o que poderia dar errado deu errado ao mesmo tempo. Eu tive uma entrevista em Wall Street para trabalhar como estagiário durante um ano. E então o cara que me fez a oferta foi demitido no dia anterior ao que eu deveria começar. Ninguém mais sabia quem eu era ou por que eu estava lá, e eles não ligavam! E eu tinha largado meu emprego anterior achando que eu iria para Wall Street. Então eu percebi: “não, você não vai para Wall Street e você não tem um emprego! Agora você tem que ir para casa e contar isso à sua esposa”.
E a mãe do meu filho nessa época havia terminado a graduação de direito, não tinha passado no Exame da Ordem. Eu era a esperança dela, e eu não tinha um emprego. Então a moral da história é: o desemprego não vai ajudar seu relacionamento (risos).

IM: Nesse ponto da sua vida, Wall Street era seu sonho?
CG: Ah, sim, eu me apaixonei por Wall Street. Mas o sonho verdadeiro era ser referência mundial em qualquer coisa que fizesse na minha vida. Não bom, não muito bom, mas referência. E eu tinha apenas que achar aquela coisa que me fizesse bem da mesma forma que a beleza fazia.
Meu primeiro sonho na vida era me tornar Miles Davis. Essa foi minha primeira ambição na vida. Mas minha mãe me ajudou a entender: “você não pode ser Miles Davis. Já existe um e ele já conseguiu esse emprego”. Então isso me ajudou a focar: eu não podia ser Miles Davis, mas eu poderia ser como ele: referência no que eu faria com a minha vida. E quando eu encontrei Wall Street, eu instantaneamente me apaixonei por isso da mesma forma que me apaixonei pela música. E essa é a chave, fazer o que você ama.

IM: Como foi o processo para começar a trabalhar na Bear Stearns & Company, primeira companhia de Wall Street que o contratou após a experiência nas ruas? E como foi sua passagem por lá?
CG: Ah, o processo foi simples. Eu conheci um cara que trabalhava na Bear, Stearns. E a coisa mais importante que uma pessoa pode ter nessa situação não é um M.B.A e sim algo que chamamos de P.S.D (poor, smart, desire) – que significa pobre, inteligente com um grande desejo de se tornar rico (risos). E eu tinha qualificação para essa posição. O que faz disso tão incrível é que o cara que me deu a primeira grande oportunidade em Wall Street é ainda um dos meus melhores amigos e iremos começar um novo negócio em breve, com o qual estou realmente muito animado.

IM: O senhor pode nos contar o que é?
CG: Não. Mas posso dizer “ka-ching” [simulação de barulho de máquina registradora] (muitos risos).

IM: Você diria então que viver nas ruas foi um fator importante para conseguir esse emprego? Teria sido da mesma forma caso contrário?
CG: Absolutamente. Foi importante não apenas para conseguir o emprego, mas para eu me tornar empreendedor. E as pessoas dizem “por quê?”. Pense a respeito: quando você não tem casa, você não tem recursos.
Quando começa um novo negócio, tem recursos limitados. Então você já está na frente no jogo, por causa dessa experiência. E quando você não tem casa, isso força você a ser muito bom com os seus recursos, da mesma forma que acontece quando você começa um novo negócio. Então a experiência de viver na rua realmente me ajudou a ser empreendedor.

IM: E foi fácil largar uma carreira em grandes empresas para criar sua própria, a Gardner Rich?
CG: Não, não, não. Não foi fácil, nunca será fácil, mas foi a coisa mais bonita que eu já fiz na vida. Pense nisso: a Bear Stearns não existe mais. Ela faliu com a crise econômica [de 2008]. Quando eu disse aos meus chefes que eu deixaria a empresa para começar um novo negócio, eles me disseram que eu era louco, que isso jamais aconteceria. Ele me disse: “ninguém que se pareça com você já fez algo como o que você está dizendo que vai fazer”.
Você sabe o que é louco? Eu tive que vender minhas ações na Bear Stearns em 1986 para começar minha companhia. Eu consegui um preço maior por ação nessa época do que eles conseguiram quando precisaram vender para o JPMorgan em 2008. Isso é louco. Então às vezes você precisa ser um pouco louco.

IM: O que ele quis dizer com “alguém que se pareça com você”?
CG: Alguém que se parecesse comigo: “você é afro-americano, você é um homem negro. Não vai haver ninguém nesse negócio em Wall Street para fazer as coisas que você está dizendo que vai fazer. Ponto. Isso nunca foi feito. Você vai competir com titãs e gigantes. Vai competir conosco, com o Goldman Sachs, Morgan Stanley, Merrill Lynch”. E sim, eu ia. E sim, eu fiz.
E todas essas empresas que eu citei ou mudaram ou não existem mais. O mundo mudou. O Merrill Lynch agora pertence ao Bank of America, precisou ser vendido. Goldman Sachs não é mais um banco de investimentos, ele agora é um banco. Ele teve que mudar. O Morgan Stanley não é mais um banco de investimentos, ele teve que mudar e agora é um banco. A crise financeira pegou todos nós. Quem sobreviveu, mudou.

IM: Quando iniciou a empresa, você continuou sentindo esse preconceito? As pessoas o tratavam diferentemente de seus competidores, assim como seu antigo chefe tratou?
CG: Não. E você quer saber por quê? Porque eu era tão bom no que eu fazia que a única cor que importava era o verde (risos). Certo? Essa é a única cor que importa. Se você mostrar para as pessoas que você consegue fazer dinheiro, consegue fazer verde, não existe preto, não existe branco.
IM: Mas existem negros que sentem esse racismo ainda hoje? Você vê isso com força nos Estados Unidos?
CG: Com certeza, não há dúvidas. Mas você perguntou sobre mim. Eu era realmente muito bom. O segredo para mim foi estar mais perto do dinheiro que os outros caras. E isso significa que uma transação, uma venda ou uma compra, não poderia acontecer sem que eu fizesse parte do processo. E todo mundo sabia disso, porque eu tinha criado uma relação melhor com o dinheiro. Então você precisa se colocar nos níveis mais altos possíveis da forma mais alta possível. E isso significa que toda vez que uma caixa registradora fizer barulho, você precisa estar naquele lugar (risos). Esse é o segredo. O cara precisa saber que ele vai fazer dinheiro, mas que você vai fazer antes.

IM: O filme sobre a sua vida foi um novo ponto de virada? Ajudou você a espalhar essa fama?
CG: Ah, ele mudou tudo. Antes eu tive uma grande mudança de vida, mais importante que o filme, quando cinco anos atrás – cinco anos, dois meses e cinco dias atrás eu perdi minha esposa para o câncer cerebral. E algumas das últimas conversas que tivemos consistiram nela dizendo para mim “agora que podemos ver como a vida pode realmente ser curta, o que você fará com o resto da sua?” Isso me fez mudar minha perspectiva. Ela faleceu no dia primeiro de julho, e no dia dois de julho eu saí de Wall Street.  
 O que era importante para mim havia mudado, o que eu sabia havia mudado. E o que eu posso fazer agora, incrivelmente, é participar de eventos como o NAC no Brasil para falar às pessoas ao redor do mundo sobre a importância de buscar a felicidade em seus termos.

IM: Você mudaria alguma coisa na sua experiência de vida? Gostaria de ter passado por uma trajetória mais fácil?
CG: Não. E essa é a coisa mais importante que eu divido com as pessoas. Eu não mudaria, porque eu acredito que se você mudar uma coisa, tudo o que acontecer depois mudará depois. Por exemplo, no filme, aquela cena onde eu conheço o cara que me ajudou com o emprego, ela na verdade aconteceu em um hospital, onde eu estava trabalhando. E eu saí da porta – em hospitais, quantas portas existem? Há muitas para entrar e sair –, se eu saísse de uma porta diferente, eu nunca teria encontrado esse cara. Se eu fosse para a esquerda, em vez da direita, nunca o haveria conhecido. Então não, eu não voltaria atrás e mudaria algo.

IM: O senhor já falou um pouco sobre isso, mas o que o senhor ensinará para as pessoas que assistirão à sua palestra no Brasil?
CG: Que as experiências mais importantes em todas as nossas vidas são as universais. E que somos todos mais parecidos do que diferentes. Durante os momentos mais importantes, desafiadores e empoderadores das nossas vidas, o local onde você está no planeta é secundário em relação a onde o seu espírito está.
Alguns exemplos: o nascimento de um filho, sua graduação, seu casamento, um novo emprego ou oportunidade de negócio, uma nova casa, o amor de alguém que se ama. Essas são as experiências que criam a humanidade. E essas experiências são iguais caso você more em Boston ou no Brasil. O sentimento é o mesmo, não importa onde você esteja: então somos mais semelhantes do que diferentes.

IM: Quem são suas maiores inspirações na vida?
CG: Minha mãe. Minha mãe me ensinou que eu poderia fazer ou ser tudo. E isso faz parte do sonho universal que eu disse. Há pais ao redor do mundo que dizem isso aos seus filhos. E isso é parte do novo sonho universal.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Homem com homem



Por que homens ‘heteros’ fazem sexo com outros homens?
Não os chame de gays, e sim de heterossexuais flexíveis. Estão seguros de sua identidade




Sim, você leu certo: homens que fazem sexo com outros homens e não são homossexuais. É mais habitual do que se pode imaginar. E é bem simples: um homem heterossexual conhece outro (num bar, numa rede social, tanto faz) e eles decidem fazer alguma brincadeira sexual. E, como se não bastasse, gostam. Depois, cada um segue com sua vida perfeitamente hétero, sem que o encontro os faça duvidar da sua orientação. O que leva alguns homens a essas práticas? E por que é incorreto catalogá-los como gays?

Hoje em dia, a aceitação da diversidade sexual é muito maior do que no passado. “À medida que há uma maior tolerância, todos saímos um pouquinho dos nossos armários”, argumenta o psicólogo, psicoterapeuta e sexólogo espanhol Joan Vílchez. “Homens que não chegam a se sentir muito satisfeitos sexualmente podem ter a chance de manter relações com outras mulheres, com um homem, ou de experimentar certas práticas que em outros tempos eram mais censuradas.” Para Juan Macías, psicólogo especializado em terapias sexuais e de casal, “conceitos como heteroflexível ou heterocurioso estão permitindo aos homens explorar sua sexualidade sem a necessidade de questionar sua identidade como heterossexuais”. Por outro lado, a Internet facilita o contato, que pode ser virtual ou físico.

A orientação sexual é construída socialmente, são categorias rígidas e excludentes, com implicações que afetam a identidade individual e social”
Os especialistas acham isso a coisa mais natural do mundo, pois partem da premissa de que uma coisa é a orientação sexual de um indivíduo, e outra as práticas que ele realiza. “A orientação sexual”, explica Macías, “é construída socialmente, são categorias rígidas e excludentes, com implicações que afetam a identidade individual e social”. Forçosamente, alguém precisa se encaixar em alguma destas três classificações: heterossexual, homossexual ou bissexual. Por outro lado, “a prática sexual é mais flexível e mais livre, é um conceito descritivo. Um espaço tremendamente saudável na exploração do desejo se abre quando a pessoa se liberta da identificação com uma orientação sexual”, diz Macías.

MAIS INFORMAÇÕES
Isso é tão natural que vem de longe. Na Roma antiga, não era raro que um homem comprometido com uma mulher mantivesse um amante. Por não falar do que acontecia nos bacanais. E jovens de todas as épocas recorreram a passatempos com uma conotação sexual difusa. “Na adolescência é bastante comum que haja jogos de certa forma associados aos genitais: ver quem urina mais longe, ver quem tem o maior, existem toques…”, diz Vílchez. “Não deixam de ser incursões homossexuais, mas ainda prepondera o modelo heterossexual, e acontecem a partir da transgressão própria da juventude”, observa o psicólogo.

Um novo modelo: SMSM
Em 2006, um estudo sobre a discordância entre comportamento sexual e identidade sexual realizado por pesquisadores da Universidade de Nova York revelou que 131 homens, de um total de 2.898 entrevistados, admitiram ter relações com homens apesar de se definirem como heterossexuais. Pelos cálculos dos especialistas, esse grupo representa 3,5% da população. Há anos, os médicos empregam a sigla HSH para se referir ao conjunto dos homens (héteros ou gays) que fazem sexo com outros homens. Mas, recentemente, aflorou outro acrônimo mais preciso para definir esse grupo: SMSM (“straight men who have sex with other men”, ou homens heterossexuais que fazem sexo com outros homens). Sites como o Straightguise.com se dedicam ao tema.
Em julho, saiu os EUA o livro Not Gay: Sex Between White Straight Men (“Não gay: sexo entre homens brancos heterossexuais”), em que a professora Jane Ward, da Universidade da Califórnia, fazia a seguinte colocação: uma garota hétero pode beijar outra garota, pode gostar disso, e mesmo assim continua sendo considerada hétero; seu namorado pode inclusive estimulá-la a isso. Mas e os rapazes? Eles podem experimentar essa fluidez sexual? Ou beijar outro garoto significa que são gays? A autora acredita que estamos diante de um novo modelo de heterossexualidade que não se define como o oposto ou a ausência da homossexualidade. “A educação dos homens tem sido bastante homofóbica. Fizeram-nos acreditar que é antinatural ter esses impulsos por outros homens”, explica Vílchez.

Experimentando, experimentando
O perfil mais estendido é o do explorador sexual: aquele a quem gosta de provar coisas novas
As motivações, logicamente, são múltiplas. O perfil mais difundido é o do explorador sexual, que gosta de provar coisas novas. “Experimentar uma relação homossexual é uma novidade para ele e, mesmo que ele goste, não podemos dizer que seja homossexual, e sim que goste dessa prática”, diz o médico de família e sexólogo Pedro Villegas. Vílchez compartilha dessa ideia. “A bissexualidade está muito na moda, e na verdade somos todos bissexuais: se você fechar os olhos, dificilmente conseguiria identificar quem está lhe acariciando, se é um homem ou uma mulher. Não há um homem que seja 100% homossexual, nem 100% heterossexual”, sentencia.

Outra das causas é um desencanto com as mulheres, frequente depois de alguns rompimentos conjugais. Vílchez explica: “Quando um casal heterossexual está em crise, é habitual que alguns homens sintam que não se entendem com as mulheres, que são incapazes de se dar bem com elas, e é como se olhassem para o outro lado. Acontece uma espécie de regressão, volta-se a um estágio anterior no qual os homens se sentiam bem juntos, como na adolescência. Em muitos casos é uma necessidade mais afetiva do que realmente sexual”.

De fato, para esse especialista, essas relações eróticas às vezes escondem uma necessidade de afeto que o homem não está acostumado a expressar. “Nos homens há muita tendência à genitalização. Entre a cabeça e os genitais há o coração, que representa os sentimentos, e os intestinos, que simbolizam os comportamentos mais viscerais e as emoções mais intensas, e é como se os homens tivessem aprendido a fazer um desvio: passamos da cabeça diretamente para os genitais, sem viver plenamente as emoções. No caso das mulheres, por tanta repressão da sua sexualidade e por medo da gravidez, acontece o contrário: elas têm muita dificuldade de genitalizar. Para um homem às vezes é mais fácil fazer isso do que expressar emoções mais sutis ou dizer a outro homem: ‘É que me sinto inseguro, tenho medo, sinto-me frágil, não sei o que quero’.”

O impulso narcisista
Entre os homens héteros que vão para a cama com outros homens também há muitos narcisistas. “É aquele sujeito que gosta que prestem atenção nele. Acontece muito nas academias de ginástica: ele gosta de despertar admiração, e não se importa se isso provém de homens ou mulheres”, aponta Eugenio López, também psicólogo e sexólogo. Outros simplesmente têm vontade de transar e recorrem a inferninhos gays, porque acham que lá será mais fácil.

Há homens heterossexuais que se envolvem com homens porque gostam; outros, por falta de alternativas – pensemos nos que são privados do contato com mulheres por períodos prolongados (será que eram mesmo gays os caubóis de O Segredo de Brokeback Mountain?). “O ser humano se rege por seus pensamentos”, argumenta López. “E, se ele acreditar que está perdendo sua sexualidade pela falta de uma mulher, pode reafirmá-la com outro homem. Costuma começar com um simples roçar.”

Se não houver conflito, não há problema
Alguns desses neo-heterossexuais podem ter sentido impulsos desse tipo no passado, mas sem se atreverem a dar o passo. “Aí vêm as circunstâncias da vida que colocam isso de bandeja e eles decidem viver a experiência, mas isso gera um conflito para eles, porque por um lado lhes proporciona prazer, mas por outro ameaça um pouco seu status e sua imagem: ‘Sou ou não sou?’, perguntam-se”, comenta Vílchez. Também podem ficar confusos aqueles que chegam ao SMSM pela carência de uma figura paterna positiva na sua infância: “Às vezes, para reforçar sua masculinidade, integram-se a atividades ‘de homens’ (futebol, musculação) ou têm contatos sexuais com outros homens, mas o que procuram é sobretudo compreensão e carinho”, acrescenta. Os psicólogos são unânimes em dizer que sua intervenção é dispensável quando essas experiências não provocam um conflito no indivíduo. “Se não estão incomodados, não há nada para tratar”, conclui Villegas.